Memórias Do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski

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SINOPSE

A obra seminal de Fiódor Dostoiévski traduzida para a língua portuguesa e enriquecida com 11 ilustrações inétidas e 35 notas explicativas.

Publicada em 1864 nas páginas da revista russa Époch, Memórias do Subsolo é uma das novelas mais perturbadoras e revolucionárias da literatura mundial.

Escrita sob a forma de uma confissão, o livro apresenta uma voz que não pede permissão para existir: a do Homem do Subsolo, um funcionário público aposentado que vive em São Petersburgo, amargurado, isolado e em guerra permanente consigo mesmo e com o mundo.

O narrador não tem nome.

Tem, porém, uma consciência cortante e implacável.

Em monólogos que se tornam, a cada linha, mais densamente dialógicos, ele expõe suas contradições sem pudor: sente prazer no sofrimento, deseja a vingança, mas a despreza; reconhece suas fraquezas e se recusa a superá-las.

Cada palavra do Homem do Subsolo antecipa a réplica de um outro imaginário, com quem trava uma polêmica obsessiva e incessante — tornando esta obra um dos experimentos narrativos mais sofisticados já concebidos.

A novela divide-se em duas partes.

A primeira, mais filosófica, é um ataque feroz ao determinismo e ao racionalismo utilitarista que dominavam o pensamento russo da época.

O Homem do Subsolo recusa esse paraíso de cristal.

Argumenta que o ser humano não é uma engrenagem previsível: é capaz de agir contra seus próprios interesses simplesmente para afirmar que existe, que é livre, que não se submete à lógica fria de uma equação.

O famoso “dois e dois são quatro” o irrita profundamente — porque ele quer o direito de dizer que a soma é igual a cinco.

A segunda parte desce ao terreno da memória e da narrativa.

Em episódios que vão de humilhações num jantar de despedida a um encontro carregado de crueldade e ternura com a jovem prostituta Liza, o leitor vê o pensamento abstrato da primeira parte ganhar corpo e significado.

Ler Memórias do Subsolo é aceitar o desconforto de se reconhecer como uma pessoa doente, má e pouco atraente, e descobrir que essa confissão, longe de nos afastar, nos aproxima do que há de mais verdadeiro e inquieto em nós mesmos.

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Memórias Do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski

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Categorias: Literatura